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A mulher moderna e o mercado de trabalho

A mulher moderna e o mercado de trabalho

As mudanças positivas dos últimos 20 anos estão criando uma geração de meninas que no futuro comandarão as grandes empresas.

Max Gehringer

Calma, este não é um tratado sobre a razão e a emoção. Nem uma guerra de testosterona versus estrógeno, ou estresse contra TPM. Biologia e fisiologia à parte, há algo que eu venho, há anos, constatando no mercado de trabalho e que a cada dia me parece mais óbvio:

Homens são ótimos para encontrar explicações.

Mulheres são ótimas para resolver problemas.

Antes que possa parecer o contrário, as duas coisas são positivas. Desde tempos imemoriais, a classe feminina sempre se encarregou daquelas tarefas muito nobres, mas pouco reconhecidas, como proteger os filhos, cuidar das plantações e garantir a continuidade da vida doméstica. Ao assumir essas funções vitais, as mulheres deram aos homens um bem de inestimável valor: tempo. Aí, os homens usaram esse tempo (ou, pelo menos, parte dele) para procurar explicações para os mistérios da natureza. E foi dessas explicações que derivaram todas as ciências e todas as grandes descobertas da humanidade.

Quando as empresas começaram a surgir e a se consolidar, os homens – que tinham mais tempo livre – assumiram o comando dos negócios. E, além do inegável progresso, legaram para a posteridade algumas heranças puramente masculinas: a burocracia (artimanha para retardar uma decisão), a delegação (arte de deixar que alguém resolva) e as reuniões (a busca da cumplicidade). Até que o século XX chegou, e com ele chegaram a globalização e a necessidade de mudanças cada vez mais rápidas. Num mundo assim, onde cada segundo se tornou vital e cada escorregão pode ser fatal, resolver tudo rapidamente e, acima de tudo, corretamente, tornou-se a prioridade número um das empresas. E isso beneficiou a mulher. É claro que homens também resolvem e mulheres também explicam, mas, historicamente, isso sempre ocorreu mais por uma questão de adaptação do que de especialização.

Não que, de repente, num dia e hora marcados, os homens vão finalmente se render, entregar os crachás e filosofar em outra freguesia. O mundo nunca progrediu, nem vai, de maneira uniforme. Mas os ventos da mudança já estão soprando. Há 60 anos atrás, “secretário” era uma profissão eminentemente masculina. Agora, é esmagadoramente feminina. Simplesmente porque os chefes homens começaram a perceber que precisavam de alguém capaz de resolver todas aquelas questiúnculas do dia a dia. E secretários homens não eram bons nisso. Eram mais de explicar por que as decisões não puderam ser tomadas.

O resto foi só consequência. Nos últimos 20 anos, a presença da mulher se expandiu geometricamente no mercado de trabalho. Como não se espera que o ritmo das mudanças vá desacelerar no século XXI, muito pelo contrário, a capacidade de saber resolver, rapidamente e com precisão, será um fator cada vez mais valorizado. O que me leva a concluir que as mulheres dominarão o topo da hierarquia das empresas. É apenas uma questão de “quando”, porque elas ainda encontrarão muita resistência pelo caminho. Mas, num dia não muito distante, um homem afoito irá receber na maternidade a notícia de que sua mulher acaba de dar à luz. “É uma menina”, anunciará a enfermeira. E o paizão, transbordando de felicidade: “Maravilha! Vai ser C.E.O.!”. Mas a boa notícia é que a classe masculina também sobreviverá, e bem, fazendo o que sabe: em funções de apoio, traçando estratégias e pesquisando. Os homens só não precisarão mais explicar por que chegaram tarde em casa. Porque suas esposas chegarão depois deles.

 


Inteligência artificial
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Vivemos, atualmente, uma espécie de síndrome da modernidade: tudo o que estiver envolvido em uma aura de tecnologia é considerado de qualidade positiva, mas é preciso ter cautela.