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Cuidado com o som que você ouve

Cuidado com o som que você ouve

Sons acima de 85 dB podem causar perda de audição, dependendo da potência do som e do período de exposição.

Por Lucivaldo dos Reis (jornalista)

Não estamos nos referindo à qualidade das músicas, mas sim, à intensidade sonora ou nível sonoro. O som possui três qualidades: altura (frequência - que está relacionada com o fato de o som ser grave - grosso - ou agudo - fino), timbre (característica que permite distinguir sons idênticos emitidos por diferentes instrumentos) e a intensidade (característica relacionada com o volume e nível sonoro).

O nível sonoro é a grandeza medida em decibel (dB – unidade de medida em homenagem ao Alexander Graham Bell). Na escala decibel, o menor som audível (quase silêncio total) é de 0 dB. Um som dez vezes mais forte tem 10 dB (dez decibéis), um som cem vezes mais forte do que o próximo ao silêncio total tem 20 dB e, consequentemente, um som mil vezes mais forte do que o próximo ao silêncio total tem 30 dB. Isso ocorre porque a escala decibel é uma escala logarítmica.

Aqui vão alguns sons comuns e seus índices de decibéis: 0 dB (próximo ao silêncio total), 15 dB (um sussurro), 60 dB (conversa normal) 90 dB (uma máquina de cortar grama), 110 dB (uma buzina de automóvel), 120 dB (um show de rock ou um motor a jato) e 140 dB (um tiro ou um rojão).

Você deve saber, por experiência própria, que a distância afeta a intensidade do som: quanto mais longe, mais potência ele perde. Por isso, é bom esclarecer que todos os índices acima foram medidos enquanto se estava próximo ao som.

Qualquer som acima de 85 dB pode causar perda de audição, e a perda depende tanto da potência do som quanto do período de exposição. Uma boa maneira de saber que se está ouvindo um som de 85 dB é quando você tem de elevar a voz para outra pessoa conseguir lhe ouvir.

Se você se expuser a um som de 90 dB por oito horas, pode causar danos aos seus ouvidos; mas se a exposição for a um som de 140 dB, um segundo já é o bastante para causar danos (e chega a causar dor).

Fones de ouvido com volume alto demais podem não apenas comprometer a saúde auditiva, como também afetar a memória e a aprendizagem. Medições em laboratório indicam que alguns aparelhos tocadores de MP3 conseguem jogar nos ouvidos um ruído semelhante ao de uma turbina de avião em pleno funcionamento.

Mas por que, e, sobretudo, como, ouvir som alto danifica o ouvido?

Esta é uma resposta que só agora os cientistas começam a elaborar com precisão.

Danos na mielina

Ruídos acima de 110 decibéis causam problemas sérios de audição, incluindo surdez temporária e zumbido nos ouvidos, mas esta é a primeira vez que os cientistas conseguiram identificar o dano celular que causa esses efeitos. As células nervosas que levam os sinais elétricos – correspondentes aos sons – até o cérebro têm um revestimento chamado mielina.

Os ruídos bastante elevados têm um efeito mecânico sobre esse revestimento, podendo destruir ou até arrancar as células de mielina, atrapalhando o tráfego dos sinais elétricos.

Uma exposição prolongada a esses ruídos danifica cada vez mais a camada de mielina, o que significa que os nervos terão uma eficiência cada vez menor na transmissão das informações auditivas até o cérebro. E, assim, a pessoa vai perdendo a audição aos poucos. Os danos ao revestimento das células nervosas também as tornam mais suscetíveis a “interferências”, eventualmente gerando o tão incômodo zumbido nos ouvidos.

Reversão da perda auditiva

A boa notícia é que pode ser possível ajudar a recuperação das células danificadas, eventualmente restaurando a audição. O organismo faz isso sozinho, nos casos da perda temporária de audição, embora o processo leve até três meses.

“Nós, agora, entendemos por que a perda de audição pode ser revertida em alguns casos”, disse a doutora Martine Hamann, da Universidade de Leicester, no Reino Unido.

“A pesquisa nos permitiu compreender o percurso da exposição aos ruídos altos até a perda auditiva. Além de ajudar na prevenção, o trabalho poderá encontrar curas para a progressão da perda auditiva”, conclui ela.


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