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A hora certa de mudar alguns hábitos dos filhos

A hora certa de mudar alguns hábitos dos filhos

Especialistas são unânimes: certas mudanças devem acontecer em idades específicas

É claro que se pode apressá-las ou atrasá-las um pouquinho, em respeito ao ritmo próprio de cada criança, mas sem exageros nem para mais nem para menos. “Não é recomendável, por exemplo, tentar ensinar o filho a segurar o xixi antes dos dois anos”, explica a pediatra Isabel Rey Madeira, da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Ele ainda não tem maturidade neurológica para fazer esse controle”, diz. Com a ajuda de especialistas, veja qual o momento ideal de deixar certos hábitos para trás ou de criar outros desafios na vida das crianças – e na dos próprios pais.

 

Comer sozinho

Quando: entre 6 meses e 1 ano

A partir dos seis meses, quando consegue levar a mão à boca, a criança já pode comer sozinha pedaços de frutas moles, como banana ou mamão –  evidentemente, sempre com a supervisão de um adulto capaz de acudi-la caso ela se engasgue. Com um ano, é hora de aprender a usar a colherzinha. Estimulá-la a se alimentar sem a ajuda de um adulto favorece o desenvolvimento da coordenação motora. Conselho dos pediatras: os pais devem evitar as broncas por causa da bagunça que o filho faz ao comer sozinho. "As brigas podem trazer transtornos alimentares no futuro, pois a criança associa a hora da refeição a momentos estressantes", diz o pediatra Pedro Paulo Corrêa, do Hospital São Luiz, em São Paulo.

 

Trocar a mamadeira pelo copinho

Quando: 1 ano

"Com um ano, a criança já tem capacidade psicomotora para beber líquidos no copo com a ajuda de um adulto", diz a pediatra Isabel Rey Madeira. Leite, chás, sucos e água podem ser oferecidos no copo de plástico –  sem bico –  já no fim do primeiro ano de vida. A utilização do copo, além de exercitar a autonomia, evita um dos efeitos mais perversos da mamadeira: seu uso prolongado pode contribuir para a obesidade. A praticidade da mamadeira, somada à sua associação a sensações de proteção e conforto, faz com que a criança se alimente mesmo quando não tem fome.

 

Largar a chupeta

Quando: até 2 anos

Antes dessa idade, o bebê está na chamada fase oral, e a chupeta de fato o acalma. Mas, quando os dentinhos começam a surgir, seu uso pode deformar a arcada dentária. "Esses danos, ao contrário do que se diz, não são irreversíveis, e em geral são corrigidos naturalmente quando a criança deixa de usar a chupeta – desde que isso não ocorra tarde demais", diz Marcelo Bönecker, professor de odontopediatria da Universidade de São Paulo. A chupeta pode ainda retardar o processo de fala, ao comprometer os movimentos da língua e dos lábios –  mas isso não é regra. O ideal é começar a restringir seu uso no fim do primeiro ano, permitindo-o somente em locais e horários estabelecidos, como em casa e na hora de dormir.

 

Deixar de usar fraldas

Quando: entre 2 e 4 anos

Quando está pronta para dispensar o uso da fralda, a criança costuma reclamar que está suja ou avisa que algo vai acontecer. Se ela passa a acordar mais seca e não molha algumas fraldas durante o dia, esse é um sinal de que aprendeu a segurar a vontade. Aos três anos, 98% das crianças conseguem controlar o músculo que regula a saída da urina. Para que uma criança aprenda a usar o banheiro, ela precisa estar amadurecida física e psicologicamente, sob pena de enfrentar uma ansiedade para a qual não está preparada. Até os cinco anos, é normal que ela deixe escapar o xixi de vez em quando.

 

Comer o primeiro fast-food

Quando: a partir de 3 anos

Não há como evitar – uma hora seu filho vai pedir o tal hambúrguer com batata frita que vem com um brinquedinho. Não é preciso negar a novidade. O que se recomenda é bom senso: um lanche desses pode ser saboreado uma vez ao mês sem problema algum. Mas, em excesso, os fast-foods são perniciosos: aumentam o risco de obesidade e hipertensão na fase adulta. Doces e frituras oferecidos em festinhas podem ser consumidos a partir de um ano, sem exageros.

 

Escovar os dentes sozinho

Quando: a partir de 4 anos, com supervisão

A higiene bucal começa assim que nascem os primeiros dentinhos. Ela deve ser feita com escova –  a gaze não remove a placa bacteriana –  e creme dental com flúor, importante na prevenção da cárie. Nos primeiros anos, a escovação deve ser acompanhada por um adulto, pois, até os seis anos, as crianças têm maior tendência a ingerir o creme dental. O excesso de flúor no organismo provoca a fluorose, que produz manchas brancas ou castanhas nos dentes. "Só a partir dos seis anos a criança tem coordenação motora suficiente para remover a placa bacteriana e controlar a deglutição", explica Marcelo Bönecker.

 

Tomar banho sozinho

Quando: a partir de 6 anos

Antes disso, a criança pode se banhar sozinha — desde que um adulto a ajude a passar o sabonete ou a espalhar o xampu nos cabelos. A partir de seis anos, a criança adquire a habilidade motora para se lavar corretamente sem a ajuda de um adulto. Vale lembrar que a higiene íntima das meninas requer atenção redobrada da mãe nessa fase de aprendizado.

 

Dormir na casa de um amiguinho

Quando: a partir de 6 anos

Nessa fase a criança já conquistou certa autonomia para tomar banho e escovar os dentes sozinha. Evidentemente, a decisão depende de sua maturidade e grau de independência. "Os pais devem tomar cuidado para não pular etapas", diz a psicóloga Vera Zimmermann, da Universidade Federal de São Paulo. É essencial conhecer bem os adultos que cuidarão do seu filho e o ambiente onde ele vai passar a noite.

 

Navegar na internet

Quando: a partir de 6 anos

No início da alfabetização, a internet entra como um complemento das tarefas escolares. Mas ela não pode ocupar muitas horas do dia: os pais devem controlar o tempo que os filhos passam navegando na rede, batendo papo ou em joguinhos. É importante que acompanhem os sites e jogos preferidos do filho, inclusive dos adolescentes. "É como saber qual é a banda preferida dele ou que filme ele foi ver com os amigos", diz Vera Zimmermann.

 

Receber mesada

Quando: a partir de 6 anos (semanal) e 14 anos (mensal)

Aos seis anos, a criança vivencia as primeiras situações de consumo longe dos pais, como a compra de um lanche na cantina da escola. Mais importante do que o valor é a forma como ele será gasto. "Mesada não é prêmio, é um instrumento de educação", diz o consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor de Filhos inteligentes enriquecem sozinhos. "A criança deve prestar contas dos gastos e entender que ela é responsável por uma parte do orçamento da família", acrescenta. Ela também pode ser estimulada a poupar, o que constitui um aprendizado útil sobre planejamento e autocontrole.

 

Ir sozinho para a escola

Quando: entre 13 e 14 anos

Quando a criança completa onze anos, os pais devem acompanhá-la nos trajetos que ela fará sozinha em breve, seja de táxi, de ônibus ou a pé. Nessa fase, já podem ensinar algumas atitudes para ajudá-la a evitar situações de risco – como recusar carona de desconhecidos e andar, sempre que possível, na companhia de amigos.

 

As perguntas difíceis que as crianças fazem:

 Mamãe, de onde eu vim?

Para perguntas sobre concepção e nascimento, se a criança tem até quatro anos, diga apenas que ela saiu da barriga da mamãe.

Entre os quatro e os seis anos, procure responder somente àquilo que está sendo perguntado, utilizando uma linguagem simples, sem mencionar detalhes que ela não vai entender.

De seis a oito anos, meninos e meninas já podem ser esclarecidos sobre como um bebê surge na barriga da mãe –  com termos como "a união da sementinha do papai com o ovo da mamãe". Diz a educadora sexual Maria Helena Vilela: "Nessa fase, a criança já troca informações sobre sexo com amigos da escola. O problema é que nem sempre elas serão corretas". Para saber até onde o filho conhece o assunto, é recomendável citar o caso de uma conhecida grávida – uma tia, por exemplo –  e perguntar se ele sabe como o bebê surgiu na barriga dela.

Detalhes a respeito do ato sexual propriamente dito só a partir dos oito anos – e à medida que a criança os solicita. Não adiante informações que ela ainda não quer processar.

Livros que podem ajudar:

- De onde viemos?, de Peter Mayle e Arthur Robins (Editora Zastras)

- Sexo não é bicho-papão, de Marcos Ribeiro (ZIT Editora)

- Mamãe, como eu nasci?, de Marcos Ribeiro (Editora Salamandra

 

• ?Para onde as pessoas vão quando morrem?

Numa simplificação, é comum responder que quem morre vai para o céu. Não é errado recorrer a essa saída, mas é provável que a criança fique insatisfeita com tal fórmula.

Até os quatro anos, pode-se falar de morte a partir do convívio com plantas e animais. "A plantinha nasce, cresce e morre" é um jeito de a criança começar a entender que a morte é o fim natural de um processo de desenvolvimento. Mentir a respeito da morte ou fantasiar demais impede que ela aprenda a enfrentar o luto. Segundo os psicólogos, mais importante do que explicar a situação ao filho é a forma como se reage a uma perda: os pequenos aprendem a lidar com a morte observando as reações dos adultos.

A partir de cinco anos, a criança se interessa mais por assuntos relacionados ao ciclo da vida e, consequentemente, surgem as sensações de medo e insegurança. Por isso, quando ela as manifesta, deve ser estimulada a falar a respeito e a expor seus sentimentos e teorias sobre a morte. Se a família é religiosa, os pais já podem abordar o tema de acordo com suas crenças.