Sobre a grandeza das pequenas coisas

Sobre a grandeza das pequenas coisas

Quem não se encanta quando vê uma criança falando “muito obrigado” ou “por favor”? Quem não fica agradavelmente surpreso quando vê alguém pedir desculpas ao outro?

Por Dalcides Biscalquin

O planeta pode estar passando por uma crise econômica, mas nós só percebemos isso quando aumenta o preço do pãozinho na padaria da esquina. O preço do barril de petróleo no Oriente Médio subiu, mas essa influência é sentida por nós apenas na hora de abastecer o carro.

O mundo é imenso, os problemas gigantescos, há milhares de pessoas à nossa volta, mas as situações somente são por nós percebidas nos detalhes que nos circundam, na proximidade, no que é ou parece pequeno. O que nos incomoda, afeta, alegra, estimula são os pequeninos detalhes que pontuam nosso cotidiano.

E assim também ocorre nas relações humanas, elas se avolumam e se intensificam a partir das pequenas sutilezas. 
Um sorriso, um beijo, um abraço, uma carta, uma flor.

Quem não se encanta quando vê uma criança falando “muito obrigado” ou “por favor”? Quem não se sensibiliza com o romantismo do cavalheiro que abre a porta do carro para sua dama? Quem não fica agradavelmente surpreso quando vê alguém pedir desculpas ao outro?

Não é especial ouvir “eu te amo”, com olhar de sinceridade em qualquer data, em qualquer momento? Quem disse que não é preciso agir assim todos os dias? Quem determinou que as pequenas gentilezas estão fora de moda? Como é que o outro vai perceber que somos educados e agradecidos se não o demonstrarmos por esses pequeninos gestos de amor que fazem tanta diferença?

Um indivíduo pode se considerar uma pessoa bem-educada e o melhor motorista do mundo, porém, se fechar um cruzamento, isso demonstrará falta de educação e de civilidade. 
Pode-se dizer preocupado com a ecologia e o futuro do planeta, mas, se jogar um pedacinho de papel no chão, vai demonstrar exatamente o contrário.

Muitas pessoas, casadas há anos, apesar de levarem uma vida conjugal tranquila, nem mesmo se lembram de quando foi a última vez que disseram ou ouviram que amam ou são amadas.
Tentemos nos lembrar de quando foi a última vez que elogiamos alguém. Elogio sincero, não uma crítica disfarçada. Talvez tenhamos dificuldade de nos lembrar. 

Às vezes deixamos muita coisa subentendida. E é importante dizer. É importante praticar ações bem-intencionadas. Fazer pequenas gentilezas nos fará sempre muito bem, porque uma pessoa pode estar de mau humor, mas não ficará pior se lhe desejarmos bom dia com um sorriso sincero.  E a luz de um sorriso lançado sempre nos retorna em dobro, iluminando o nosso caminho. 

Do mesmo modo que as formas de um objeto se modificam dependendo do ângulo pelo qual o olhamos, algumas atitudes, ações ou reações têm várias maneiras de ser vistas. 
Sorrir sempre, ser positivo, olhar nos olhos, ser sincero ao cumprimentar alguém são pequenos gestos de carinho que produzem grande satisfação no coração das pessoas. O que queremos que as pessoas vejam quando olham para nós? 

É isto: caprichar nos detalhes, nas pequenas gentilezas. E sentir que o mundo à nossa volta começa a ficar melhor.