Quem é esse intruso?

Quem é esse intruso?

A chegada de um novo membro costuma abalar os sentimentos do filho mais velho

Toda família que cresce sofre com o mesmo problema: a chegada de um novo membro costuma abalar os sentimentos do filho mais velho. Para que o ciúme infantil não prejudique a convivência familiar ou o desenvolvimento e aprendizado das crianças, os pais precisam entender e controlar a situação.

Voltar a usar fraldas, choramingar por qualquer coisinha, querer dormir na cama dos pais são três sinais clássicos do ciúme infantil. E eles surgem principalmente nos primeiros meses após a chegada de um novo membro na família - um período em que ganhar um irmãozinho, aos olhos dos pequenos, pode ser assustador.
“O nascimento de um bebê faz com que a criança que antes era o centro da família se veja em segundo plano”, resume a psicoterapeuta Marilena Henriques Teixeira Netto, do Rio de Janeiro. E não adianta colocar a criança de castigo quando ela fizer birra para chamar atenção. “É preciso ter paciência e compreender a situação”, completa a psicóloga Simone Moraes de Ávila, diretora clínica do Âme, de Primavera do Leste (MT). Veja o que fazer para sua família viver essa fase de maneira tranquila.

Crianças de todas as idades sofrem com esse problema?
Quanto mais nova, mais sensível às mudanças de comportamento a criança será. Mas isso também pode acontecer com as crianças mais velhas.
A faixa etária que sente mais dificuldade vai de 2 anos e meio a 4 anos - período em que o mundo da criança é a família e nada mais. “Passada essa fase, o mundo dela se amplia com a entrada na escola. Ela estabelece laços com outras pessoas e isso facilita a hora da chegada do irmão”, diz Simone Moraes de Ávila.

Quatro sinais clássicos de que a criança está com ciúme:
Birra: Ela não quer mais ir à escolinha, diz que a professora não gosta mais dela e que não tem amigos lá. Tudo é desculpa para ficar em casa, agarrada com a mãe.
Isolamento: Fica sozinha, em silêncio, desanimada. Muitos pais, quando observam esse comportamento, entendem que não há ciúme e que a criança está lidando bem com a chegada do irmão. Ledo engano. Isolamento também pode indicar ciúme!
Agressividade: Tenta bater no bebê, puxar o cabelo e até jogar algum objeto na direção do irmãozinho. A agressividade também pode ser com a mãe, reclamando de tudo o que ela manda fazer ou até atirando coisas nela e tentando bater.
Regressão: Quer voltar a usar chupeta e mamadeira, regride na fala, volta a molhar a cama à noite (se já havia controlado essa etapa), quer voltar a dormir no berço, mesmo já tendo caminha... Faz de tudo para chamar atenção. 

Veja o que fazer para controlar a situação
Não brigue: Evite brigar e colocar a criança de castigo toda vez que for desobediente nesse momento. Isso só vai aumentar o ciúme que ela sente do irmão. Converse bastante, explique. “Faça a criança se sentir amada, realce suas qualidades e a inclua nessa mudança de vida, até mesmo nas escolhas que dizem respeito ao bebê”, sugere Simone.
Siga a rotina: Dedique alguns momentos do seu dia apenas a seu filho mais velho. Brinque com ele e não mude a rotina: se antes você contava histórias para ele dormir, mantenha o mesmo hábito. É importante também evitar mudanças radicais na vida da família, como promover uma mudança de quarto ou matricular seu filho mais velho numa escola. Essas modificações devem ser feitas bem antes do parto ou meses depois da fase de adaptação com o bebê. Assim, as perdas não serão associadas à chegada do irmãozinho.
Evite comparações: Apesar de ser difícil, evite fazer comparações entre os dois filhos do tipo: “Ele dorme mais do que você”, “é mais calminho do que você quando era bebê”, “tem mais cabelo do que você tinha”. Cada ser humano é único e tem seu próprio valor.
Peça colaboração da família: Quando os parentes forem visitar o bebê, recomende a eles que também conversem e brinquem com seu filho mais velho.
Dê responsabilidades: Peça ao mais velho que ajude nas tarefas relacionadas ao bebê, como olhá-lo por alguns minutos. Isso melhora o convívio entre os dois.


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