Laura Vicunha
Pais Atentos
A presença Ausente

A presença Ausente

Duas pessoas que saem juntas para uma refeição acabam ficando apenas fisicamente lado a lado. Os pensamentos e as emoções estão direcionados para outras pessoas, realidades e espaços.

Por Dalcides Biscalquin

Gostamos de dizer que vivemos em um mundo marcado pelas novas tecnologias, que instantaneamente podem unir pessoas nas mais diferentes partes do planeta. Por mais estranho que pareça, as novas tecnologias também podem favorecer o isolamento, mantendo em nós apenas a sensação de estarmos interagindo com o mundo.

Muitas vezes fico observando os casais nas mesas dos restaurantes. Um de frente para o outro, ocupando espaços restritos, aparentemente gozando de toda a privacidade do mundo. Mas eles estão sozinhos. Cada um tem em mãos um celular ou outro aparelho eletrônico, os quais permitem que estejam em contato com uma multidão de internautas.

O resultado é previsível: passam horas em silêncio, digitando frases soltas para pessoas das mais diferentes partes do mundo. Acabam até sorrindo para a tela do computador, empolgados com algumas frases escritas por desconhecidos bem-humorados.

É difícil entender a lógica desse processo. Duas pessoas que saem juntas para uma refeição acabam ficando apenas fisicamente lado a lado. Os pensamentos e as emoções estão direcionados para outras pessoas, realidades e espaços. O mais incrível é que, na hora de ir embora, ainda trocam olhares de espanto ao perceberem que o tempo passou muito rapidamente.

Sim, o tempo passou depressa e ambos perderam a oportunidade de realmente estar juntos, de celebrar, unidos, um momento sagrado, como deveria ser o de uma refeição, e de falar com espontaneidade sobre projetos comuns que os fizessem olhar para o mesmo horizonte. Quantas oportunidades desperdiçadas pela falta de critério e de bom senso ou pela sedução do vício que, inclusive, limita as escolhas!

Que o nosso desejo de interação social mediada pelas novas tecnologias não nos roube dos nossos encontros pessoais. Que não nos falte a delicadeza de dar atenção e carinho a quem nossos olhos podem ver e nossas mãos podem tocar. Nada pior do que nos sentirmos sozinhos quando todos poderiam jurar que estivéssemos acompanhados. Em outras palavras: a solidão acompanhada é a pior das solidões.


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