Laura Vicunha
Pais Atentos
Três passos para o sucesso

Três passos para o sucesso

A maioria das pessoas ainda não parou para fazer uma autoanálise profissional, infelizmente.

Por Max Gehringer

Quem de nós, um dia, não parou para fazer uma profunda autoanálise profissional? Pois é, a maioria ainda não parou, infelizmente. E quem não parou está postergando um momento crucial, o de reavaliar seus erros e acertos, para poder redirecionar a carreira enquanto ainda é tempo.

A boa notícia é que nunca é tarde para tomar uma atitude, porque a autoanálise pode ser feita a qualquer hora e em qualquer lugar. Aqui e agora, por exemplo. Basta fechar os olhos, tomar fôlego e repetir – pausadamente e num tom firme de voz – as três grandes questões da vida profissional: 1) O caminho que escolhi foi o correto? 2) Estou fazendo o máximo possível por minha carreira? e 3) Por que estou falando comigo mesmo em voz alta e de olhos fechados?

As respostas mais comuns têm sido (na mesma ordem das perguntas): “Não sei”, “não sei” e “não sei”. E isso é preocupante. Aliás, mais que preocupante, é indicativo de um claro sintoma de acomodação. E a acomodação vem sendo, sem nenhuma dúvida, a maior responsável pelas derrapagens profissionais. Mas há uma maneira de resolver rapidamente essa incômoda situação, e ela é mostrada a seguir. Passo a passo.

A primeira dúvida é: quantos passos? A resposta está no maior acervo de respostas do mundo, a internet. Fiz uma pesquisa rápida e descobri que há milhões de sites falando em número de passos para isso e para aquilo, e constatei algo muito importante: quanto menos passos, mais sites. “Sete passos” e “seis passos”, por exemplo, aparecem em 93 mil sites cada um. Porém, quanto mais os passos diminuem, maior é o número de sites, a saber: 136 mil para “cinco passos”, 179 mil para “quatro passos” e 365 mil para “três passos”. E isso significa exatamente o que dá a impressão de significar: todo mundo está querendo caminhar na direção certa, mas ninguém parece lá muito disposto a caminhar demais (tanto que “19 passos” só é mencionado em míseros 250 sites).

Removido o primeiro obstáculo – o caminho tem de ser curto e rápido –, vamos ao segundo: em que direção? Listei todos os sites que contêm a expressão “três passos” e pesquisei algumas palavras associadas a eles. Os resultados foram os seguintes (os números são em milhares de sites): carreira, 22; segurança, 43; sucesso, 58; dinheiro, 79. E a palavra vencedora – que aparece em nada menos que 210 mil sites – é... “ajuda”. O resultado é surpreendente? Nem tanto. A pesquisa simplesmente revela como as pessoas se sentem hoje em dia no mercado de trabalho: desamparadas. Não adianta muito ficar pensando em dinheiro, segurança ou sucesso se não houver alguém por perto disposto a nos dar uma mãozinha. E, pelo jeito, esse help anda cada vez mais escasso.

Então, o panorama é bem claro: profissionais estão avidamente buscando ajuda para ganhar dinheiro e encontrar o sucesso. Em três passos. Que são os seguintes, conforme revela um dos sites pesquisados: 1) Decida-se logo; 2) Abra todas as frentes de oportunidades; e 3) Alinhe suas prioridades.

Ou, então, como prega outro site: 1) Crie seu networking; 2) Estabeleça seu diferencial; e 3) Atualize-se continuamente.

Ou, quem sabe, como sugere um terceiro site: 1) Aja segundo sua emoção; 2) Meça os resultados; e 3) Não tenha receio de mudar de ideia.

Peraí, que história é essa? Cada site recomenda uma coisa diferente? Pois é. Quer dizer, então, que não existe uma receita para o sucesso? Claro que existe. Quem pesquisar na internet a expressão “receita para o sucesso” encontrará nada menos que 40 mil sites com as respectivas bulas. E, o que é fundamental, 3 mil deles são em três passos.

Finalizando a pesquisa, eu descobri que há, só em língua inglesa, 8 milhões de sites que mencionam o termo “sucesso”. E aquela janelinha ao pé deles, o contador de visitas, revela que cada uma dessas páginas já foi acessada, em média, 1.280 vezes. Ou seja, quase 10 bilhões de visitantes, mais que a população inteira do planeta! Assumindo-se que as dicas devam funcionar satisfatoriamente em, no mínimo, 20% dos casos, a gente deveria estar trombando, em cada esquina, com uma multidão de pessoas radiantes, todas com aquela cara de quem não aguenta mais fazer sucesso.

– O que você tem feito ultimamente, Tatiana?

– Sucesso, Fabrício. E você?

– Também. Já estou até ficando estressado porque nada dá errado. Aliás, para desopilar, hoje vou assistir a uma palestra, “Eu Consegui! O Insucesso em Três Passos”. Proferida por um profissional de reconhecido fracasso.

– O quê? Eles ainda existem?

– São raríssimos, mas existem. O único problema é que o palestrante, exatamente por representar uma espécie em extinção, a dos fracassados, está se tornando o maior sucesso.

Como mostra a realidade, não é bem em gente assim que esbarramos por aí. Mas ainda há uma alternativa: esquecer os devaneios e sair em busca da felicidade pessoal. Aí, tudo fica mais simples. O grande filósofo zen Thich Nhat Hanh explica como conseguir isso: por meio da meditação. Em seu livro Paz a Cada Passo, ele ensina: “Ao meditarmos caminhando ao ar livre, coordenamos nossa respiração e nossos passos. Três passos para cada inspiração e três passos para cada expiração”. Quer dizer, qualquer que seja o objetivo, ou o método adotado, ninguém vai conseguir escapar dos três passos.

Caso do meu tio Venâncio, que atualmente é pescador (ou seja, meio filósofo, meio zen) e construiu toda a carreira numa só empresa. Sem tropeços e sem traumas. E me contou que sua trajetória se resumiu a – quem diria? – três passos: 1) Admissão; 2) Paciência; e 3) Aposentadoria. Onde o passo mais longo foi o do meio, que levou 36 anos para ser completado. Na opinião do tio Venâncio, esse é o problema do mercado de trabalho de hoje em dia: as pessoas querem dar passos maiores que as pernas e, aí, escorregam. E, enquanto ajeitava o anzol, me deu sua definição de uma caminhada progressiva e segura: “Na vida profissional, não existem atalhos. Quem vive procurando por eles ou acaba se perdendo ou fica marcando passo”.


Alegria de ensinar
Educação

Alegria de ensinar

Em vez de falar sobre os sofrimentos pelos quais passam os professores, neste texto, o escritor e educador Rubem Alves descreve as alegrias da profissão.