Crianças x Finanças

Crianças x Finanças

Educação financeira não se trata de matemática, planilhas e cálculos intermináveis como muitos pensam

Por Cris Maeda 

Desde o momento em que o filho aprende a pedir. 

Educação financeira não se trata de matemática, planilhas e cálculos intermináveis como muitos pensam. Definitivamente, não. Educação financeira é mais do que isso: é comportamento! É a forma como se lida com o dinheiro. Por isso, devemos ensinar aos nossos filhos, o quanto antes, qual o procedimento mais adequado para lidar com o dinheiro. E de que forma explicar tudo isso a uma criança pequena?  Falando em mesada, qual a melhor hora de iniciá-la na vida da criança?

Essa pergunta não tem uma resposta exata, pois depende da maturidade de cada criança e, claro, da condição financeira de cada família. O mais importante não é o quanto se vai dar de mesada e sim ensinar seu filho a administrar aquele dinheiro que ele está recebendo! Tem criança que desde muito cedo é ligada ao dinheiro, em comprar etc. Já outras não se interessam tanto pelo assunto. Mas acredito que a partir dos 9/10 anos é importante a criança gerir o próprio dinheiro.

E como explicar o destino desse dinheiro à criança?

Importante salientar que todo dinheiro ganho pela família demorou, geralmente, muitos dias para chegar até sua casa, dependeu de muito trabalho para que ali estivesse. Por isso, deve-se pensar antes de gastar com qualquer coisa. Raciocinar na hora da compra. Se questionar: eu preciso realmente comprar este brinquedo? Quanto custa? Quanto eu tenho? É bom deixar bem claro que essa mesada será destinada aos sonhos da criança, mesmo porque, todas as suas necessidades básicas são supridas pelos pais ou responsáveis. E como criança é imediatista e está sempre mudando de opinião, faça com que ela anote em uma caderneta os seus sonhos e coloque ao lado para quando quer concretizá-los, estipulando uma data aproximada. Então essa criança terá sonhos de curto, médio e longo prazo. Depois pesquise com ela quanto custa cada sonho e faça as contas.

Por exemplo:

O pai dá uma mesada para o filho de 20 reais por mês. O filho está com vontade de comprar algum doce novo que viu na propaganda e que custa 5 reais (sonho de curto prazo - período de alguns dias). Esse sonho poderá ser realizado assim que ganhar sua mesada. Outro sonho é o de comprar uma bola que custa 40 reais e ele quer comprar nos próximos três meses que ganhar a mesada (sonho de médio prazo). O sonho de longo prazo, e mais caro, é o de comprar um carrinho que custa 100 reais em seu aniversário, que será daqui a dez meses. E ainda deixará algum dinheiro para gastar com suas guloseimas mensais. Então a criança já sabe o que quer: objetivos definidos e prazos estabelecidos. Agora é partir para a execução prática. E não se esqueçam de anotar tudo na caderneta! É importante ter um registro de tudo isso.

Você está ensinando ao seu filho o que é planejamento!

Então no primeiro mês ele já atingiu seu sonho de curto prazo comprando um novo doce, e poupou 15 reais para a compra da sua bola. No segundo mês usou 5 reais da sua mesada para seus gastos com guloseimas (sua sobrevivência mensal) e poupou 15 reais para atingir seu sonho. No terceiro mês ele atingiu a meta, e já tem todo o dinheiro para comprar sua bola nova à vista! E no próximo mês recomeçará sua poupança para continuar atingindo seus objetivos. Uma forma divertida de formar essa poupança é utilizar três cofres para que cada um seja destinado a um sonho: 1 cofre pequeno – sonho de curto prazo; 1 cofre médio – sonho de médio prazo; 1 cofre grande – sonho de longo prazo.

E a criança vai guardando cada quantia no respectivo cofre. O que está sendo ensinado nas entrelinhas dessa brincadeira de poupar? A importância de se ter bem claros e definidos seus objetivos de vida; educação financeira: como lidar com o dinheiro ganho destinando-o para atingir o objetivo traçado; poupar antes, consumir depois; paciência para esperar o tempo certo da compra; disciplina em cumprir aquilo que foi estabelecido no prazo acordado; provar para si mesmo de que é capaz de conquistar aquilo que se almeja. Atitudes como essas influenciam diretamente na autoestima da criança – ela provou para quem mais ama de que foi capaz!

 Essa lição, uma vez aprendida, se tornará um hábito, e o hábito é uma segunda natureza do ser humano! Nunca mais será esquecida. Assim, os pais estarão formando adultos financeiramente saudáveis.