Pais e filhos: amizade, poder e autoridade

Pais e filhos: amizade, poder e autoridade

Os pais não devem se preocupar em ser “os melhores amigos dos seus filhos”. Devem se preocupar em serem bons pais

Ivan da Cunha

 

Pais, cuidado!

Há pais que, para se dizerem modernos, passam o tempo tentando ser “os melhores  amigos de seus filhos”. Os pais não devem se preocupar em ser “os melhores amigos dos seus filhos”. Devem se preocupar em serem bons pais. Ser pai ou mãe é algo muito superior do que ser amigo. Com a tentativa de ser amigo, vemos muitos pais deixando de lado o remédio muitas vezes amargo da chamada educação. Este remédio somente pode ser aplicado pelos pais, jamais pelos amigos. 

Os amigos naturalmente têm a tendência de passar a mão na cabeça e geralmente não têm a coragem, nem mesmo a autoridade, de enfrentar os demônios interiores, que começam a se mostrar principalmente durante a adolescência. Pais devem dizer o que os filhos “precisam” ouvir, e os amigos na maior parte das vezes dizem o que os filhos “querem” ouvir. Os pais devem se preocupar em construir e manter o equilíbrio entre poder e autoridade. 

Poder é uma posição que nos é dada e que nos permite obrigar que nos obedeçam, mesmo que não queiram ou concordem. Já a autoridade vem do exemplo, quando um ser é seguido não por uma imposição, mas pelo respeito que suas atitudes e comportamentos exercem sobre o outro. Muitos pais querem exercer somente o poder, esquecendo-se de continuar seu trabalho interior, para que seu exemplo seja uma forte influência à sua volta.

Vejamos a autoridade moral de Jesus. O Mestre jamais teve algum cargo que o colocasse à frente dos demais. Jamais obrigou quem quer que seja a fazer algo. Toda sua força era moral, pelo exemplo. Acredito que já passou o tempo do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Claro que muitas vezes, diante de uma teimosia que precisa ser dobrada para proteção daquele que depende de nós, o poder deve ser exercido. Mas o poder somente tem sustentação quando em sua base encontram-se atitudes e exemplos que o fortalecem.

Por exemplo, um pai dá uma bronca na criança para que não jogue mais lixo no chão, podendo até mesmo aplicar uma reprimenda caso o erro persista. Talvez pelo poder ele até consiga o efeito desejado, mas somente a autoridade de quem tem atitudes compatíveis conseguirá bons efeitos da bronca, uma lição. Há uma grande diferença quando fazemos algo pelo medo do poder do outro ou quando fazemos porque aprendemos a lição. Quando somente o poder, sem autoridade, mas sim de forma autoritária, é exercido, a tendência é o desgaste dos relacionamentos, somente bastando ao filho que ele cresça e se sinta mais dono de si mesmo para se rebelar contra aquele que o oprime.

Portanto, se queremos ser bons amigos dos nossos filhos, nos esforcemos para ser bons pais. E bons pais lutam para que sua autoridade seja estabelecida por seu exemplo, tornando-se assim a base da sustentação segura para que seus filhos possam se desenvolver a caminho do bem e da felicidade. Pense nisso!


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