Síndrome do pânico

Síndrome do pânico

A primeira crise pode ocorrer em qualquer idade, mas costuma manifestar-se na adolescência ou no início da idade adulta

Drauzio Varella 

A síndrome ou transtorno do pânico (ansiedade paroxística episódica) é uma doença que se caracteriza pela ocorrência repentina, inesperada e de certa forma inexplicável de crises de ansiedade aguda, marcadas por muito medo e desespero, e associadas a sintomas físicos e emocionais aterrorizantes, que atingem sua intensidade máxima em até dez minutos. Durante o ataque de pânico, em geral de curta duração, a pessoa experimenta a nítida sensação de que vai morrer, ou de que perdeu o controle sobre si mesma e vai enlouquecer. 
A primeira crise pode ocorrer em qualquer idade, mas costuma manifestar-se na adolescência ou no início da idade adulta, sem motivo aparente. O episódio pode repetir-se, de forma aleatória, várias vezes no mesmo dia ou demorar semanas, meses ou até anos para surgir novamente. Pode também ocorrer durante o sono. Não fazer a menor ideia de quando, ou se a crise vai acontecer, gera um estado de tensão e ansiedade antecipatórias, o que propicia o desenvolvimento de outras fobias. A mais comum é a agorafobia, distúrbio de ansiedade marcado pelo temor de encontrar-se em espaços abertos com muita gente ou em lugares fechados, dos quais o portador da síndrome não possa sair se tiver um ataque de pânico.
O transtorno do pânico atinge mais as mulheres do que os homens. Atribui-se essa frequência maior no sexo feminino à sensibilização das estruturas cerebrais pela flutuação hormonal, visto que a incidência de pânico aumenta no período fértil da vida.

Causas
Ainda não foram perfeitamente esclarecidas as causas do transtorno do pânico, mas acredita-se que fatores genéticos e ambientais, estresse acentuado, uso abusivo de certos medicamentos (anfetaminas, por exemplo), drogas e álcool possam estar envolvidos.

Diagnóstico 
O diagnóstico do transtorno do pânico obedece a critérios definidos no DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Uma crise isolada ou uma reação de medo intenso diante de ameaças reais não constituem eventos suficientes para o diagnóstico da doença. As crises precisam ser recorrentes e provocar modificações no comportamento que interfiram negativamente no estilo de vida dos pacientes.
É muito importante estabelecer o diagnóstico diferencial com outras doenças que apresentam sintomas semelhantes, tais como ataques cardíacos, hipertireoidismo, hipoglicemia ou epilepsia.

Tratamento 
O tratamento do transtorno do pânico inclui a prescrição de medicamentos antidepressivos (tricíclicos ou de nova geração) e psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, que utiliza a exposição a situações que provocam pânico de forma sistemática, gradual, controlada e progressiva, até que ocorra a dessensibilização diante do agente agressor. Geralmente, a medicação precisa ser mantida por períodos mais longos e descontinuada progressivamente por causa do risco de recaídas.

Recomendações 

Sintomas físicos da doença podem ser confundidos com sinais característicos de infarto. Caso se descarte uma ocorrência cardíaca, o transtorno pode ser uma suspeita;

Pratique exercícios físicos. Algumas das sensações que eles provocam são semelhantes às da síndrome do pânico – batimentos cardíacos acelerados e sudorese –, mas em um contexto agradável, que ajuda a tirar a identificação negativa;

Não se automedique nem recorra ao consumo do álcool ou de outras drogas para aliviar os sintomas. Em vez de resolver um problema, você estará criando outros;

Procure assistência médica. O transtorno do pânico é uma doença como tantas outras. Quanto antes for diagnosticada, melhor será a resposta ao tratamento.

Perguntas frequentes 


Como ajudar alguém que está tendo um ataque de pânico?
Para ajudar uma pessoa que está passando por uma crise de pânico, controlar a respiração é uma das armas principais. Oriente-a a se concentrar na respiração e a respirar mais lentamente.
Pergunte se ela toma algum medicamento para crises agudas de pânico (em caso positivo, você pode ajudá-la a tomar nessa hora). Se possível, leve-a para um ambiente mais calmo e tranquilo.
Mude o foco dela para o momento presente (uma dica é focar em objetos que ela pode ver e tocar).
Converse de maneira acolhedora e jamais minimize o sofrimento dela. Não diga coisas como “isso só está na sua cabeça” e sim frases como “eu sei que você está aflito, mas vai passar, eu estou aqui com você e vou te ajudar”. Especialmente se for o primeiro ataque de pânico, é importante buscar atendimento médico.

É possível prevenir um ataque de pânico?
Sim, existem medicamentos que podem ser utilizados antes de situações que normalmente geram desespero no paciente com síndrome do pânico. Por exemplo, se você sente pânico sempre que precisar viajar de avião, pode tomar um remédio antes de embarcar para evitar a crise. Mas é importante seguir sempre a recomendação médica.

Como diferenciar um ataque de pânico de um ataque cardíaco?
Tanto o ataque de pânico quanto o ataque cardíaco podem provocar dor no peito, taquicardia, faltar de ar, náuseas, sudorese, entre outros sintomas. Mas apesar das características semelhantes, existem diferenças. No ataque cardíaco, a pessoa geralmente sente uma dor opressiva na região do tórax que pode irradiar para mandíbula, ombros ou braços (mais frequentemente, do lado esquerdo), além de poder ter um ardor no peito que pode ser confundido com azia. 
Já no ataque de pânico, as dores podem se espalhar pelo tórax e pescoço, mas não provocam a sensação de pressão. Além disso, o paciente sente um desespero muito grande, tem medo de morrer e a visão da realidade é distorcida, não conseguindo diferenciar o que é ou não real. Também pode haver sinais como sensação de sufocamento, tontura ou vertigem e ondas de calor e calafrios, menos frequentes em caso de infarto.

Quanto tempo dura o tratamento da síndrome do pânico?
Geralmente, o tratamento dura entre seis meses e um ano. Os benefícios demoram algumas semanas para aparecer, mas sentir melhora não deve ser justificativa para interromper o tratamento, pois o risco de recidiva é grande. As crises podem voltar mesmo depois de muitos anos. Parar o tratamento só é indicado mediante indicação dos especialistas que acompanham o caso.


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