Brincar não é só diversão

Brincar não é só diversão

Além do lazer, a brincadeira é um importante momento de desenvolvimento intelectual da criança.

Por Fernanda Maranha

Brincar é extremamente importante para as crianças. Não só por ser um momento de lazer, mas também porque é mais uma oportunidade de os pequenos se desenvolverem de diversas formas. Não são só as tradicionais brincadeiras educativas que trazem esses benefícios. Ao brincar – sozinha ou acompanhada –, a criança conhece o mundo ao seu redor e desenvolve novas habilidades.

A psicóloga e psicopedagoga clínica Cynthia Wood afirma que brincar é essencial para a evolução da criança: “É assim que ela pode desenvolver capacidades importantes como a atenção, a memória, a imitação e a imaginação”.

Isso acontece, como explica Cynthia, porque durante as atividades lúdicas as crianças exploram e refletem sobre a realidade e a cultura em que estão inseridas, questionando regras e papéis sociais. Um exemplo claro de brincadeira que aborda tais questões é o clássico “mamãe-filhinha”, que muitos gostam de atuar com os pais ou até com bonecas.

“Através da brincadeira, as crianças ultrapassam a realidade, transformando-a por meio da imaginação. Os jogos das crianças não são apenas recordações do que elas veem os adultos fazerem. O que acontece é uma transformação criadora do que perceberam para a formação de uma nova realidade que responda às exigências e inclinações da própria criança”, conta a especialista, revelando que há uma reinvenção da realidade por meio das brincadeiras dos pequenos.

 

BRINCAR SOZINHA: APRENDIZADO E DESENVOLVIMENTO

Existem diversas formas de se divertir, e cada uma delas tem sua importância para a evolução infantil. “Brincando sozinha a criança aprende”, explica a psicóloga, que complementa: “Os problemas que surgem na manipulação dos brinquedos e jogos fazem a criança crescer pela procura de soluções e alternativas”.

Apesar de estarem sozinhas, os brinquedos têm papel importante para que o momento da criança também seja divertido e proveitoso para o desenvolvimento. “O brinquedo é o elo entre a criança e o mundo, por meio dele a criança comunica as suas emoções, seus pensamentos e conflitos. Ele serve como catalisador da brincadeira”, explica a psicopedagoga.

 

EXEMPLOS DE BRINCADEIRAS PARA A CRIANÇA SE DIVERTIR SOZINHA

Bola: brincar com uma bola, sozinha, pode ser uma ótima oportunidade de a criança aprimorar a coordenação motora, seja chutando uma bola de futebol ao gol, jogando para cima uma bola de vôlei, ou batendo no chão uma bolinha pequena.

Bonecos: os bonecos e bonecas destravam todo um novo universo para os pequenos, como revela a psicóloga: “O brinquedo traduz a vida real dos pais para a ‘realidade infantil’”. Assim, eles podem brincar de “mamãe/papai–filhinho(a)” ou simular uma realidade entre os vários bonecos.

Quebra-cabeças: brincar de montar um quebra-cabeças sozinho é um verdadeiro exercício que estimula o desenvolvimento cognitivo dos pequenos. Essa ação ajuda a desenvolver a coordenação motora, o raciocínio e pensamento lógico, entre outras habilidades.

 

BRINCAR COM OS PAIS: MOMENTO DE AFETO

Além dos momentos solitários de brincadeira, é muito importante, não só para a criança, mas para a relação entre pais e filhos, que eles brinquem juntos. A psicóloga esclarece o motivo: “Quando a criança brinca com os pais, os laços afetivos são estreitados. A criança se sente amada e respeitada e vê que tem a atenção deles”.

O ato de brincar junto, diz Cynthia, é capaz de traduzir a vida real, muitas vezes incompreensível para a realidade infantil, diminuindo muitas vezes o sentimento de impotência que a criança pode ter frente aos pais e adultos em diversas situações.

 

EXEMPLOS DE BRINCADEIRAS 

COM OS PAIS

Construir objetos: desde uma clássica pipa, até construir juntos um castelo ou foguete de papelão. Que tal? Crianças geralmente adoram “inventar” novos brinquedos. Por isso, os pais podem pesquisar na internet manuais para montar estes tipos de objetos junto com os pequenos. Assim, é possível aproveitar o momento juntos e ainda dar aquela necessária ajuda de um adulto para cortar e montar os itens.

Contar histórias: histórias inventadas, lidas de um livro ou até mesmo uma antiga, contada há anos de geração para geração. Compartilhar uma história com o seu filho pode significar um estreitamento de laço bastante forte. Crie esse hábito! Antes de dormir é um bom momento, ou em uma ocasião específica do fim de semana, reunindo algumas crianças, por exemplo.

Brincadeiras antigas: em meio à disputa de atenção dos pais com a tecnologia na vida das crianças, que tal ensinar ao filho algumas brincadeiras antigas? Podem ser as clássicas “de rua”, como esconde-esconde, corre cotia ou amarelinha, mas vale também compartilhar um brinquedo de sua infância para os pequenos conhecerem, como pião ou bolinha de gude.

Além disso, sempre que possível, é válido que o pai ou a mãe participe daquela brincadeira que a criança deseja. Entrar na realidade dela e atender aos pedidos pode ser muito proveitoso para ambos, para estreitar relações e conhecer melhor o próprio filho.

 

TABLETS E AFINS: COMO LIDAR COM AS TECNOLOGIAS NAS BRINCADEIRAS

Atualmente, é muito comum vermos, desde bebês, os pequenos passando muitos momentos em companhia de seus tablets ou outras telas. É bom ou ruim? A resposta certa, de acordo com a psicóloga e psicopedagoga é: depende. “A tecnologia é importante e necessária para o dia a dia, mas em excesso pode ser muito prejudicial”, explica ela. 

A tecnologia nas palmas das mãos é um avanço e tanto, possibilitando que o aprendizado seja mais lúdico, o que desperta o interesse por novos assuntos, estimula o raciocínio lógico e, pela praticidade e mobilidade, possibilita a continuação do ensino fora de sala de aula. Porém, ainda segundo Cynthia, o excesso de telas na vida das crianças, tão pequenas, pode causar problemas de atenção – que refletem negativamente no aprendizado –, de ansiedade e até mesmo de diminuição da qualidade do sono e irritação. Para evitar tais adversidades, é preciso que os pais imponham limites no uso dessas ferramentas. Para crianças até dois anos, as telas devem ser usadas no máximo por uma hora por dia. Já de dois a nove anos, o tempo pode dobrar para duas horas por dia. Apenas a partir dos nove anos a criança deve usar no máximo três horas de tablets ou celulares por dia, recomenda a psicopedagoga.

Até mesmo na adolescência, a falta de controle do uso da tecnologia pode gerar um problema. “Em excesso, a criança e o adolescente criam dependência da tecnologia e deixam de viver uma vida real, passando a viver somente a virtual”, explica Cynthia.

 

BRINCANDO COM OUTRAS CRIANÇAS

É importante também garantir que a criança brinque com outras crianças, sejam irmãos, primos, colegas de escola ou da vizinhança. Trata-se de uma preocupação especial para os que não têm convivência diária com outras crianças. É preciso cultivar esse momento. Segundo a especialista, brincar com outra criança é muito importante para que ela aprenda a dividir objetos, compartilhar sentimentos, trabalhar em equipe e lidar com as frustrações, além de saber ganhar e perder. 

 

O BRINCAR NA ESCOLA

É comum a escola incluir o brincar em suas atividades justamente pela sua importância no desenvolvimento cognitivo, motor e intelectual. O brincar estimula o aprendizado e desenvolve diversas competências que serão a base para um aprendizado efetivo e prazeroso. Afinal, como diz Carlos Drummond de Andrade, brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.

 

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